Casa cheia, pessoas felizes, rindo, brincando, mas eu não consegui sorrir. Senti-me tão sozinha mesmo rodeada de pessoas. De um tempo para cá eu me sinto assim, meia que no ar e bastante pensativa.
Lembro de passagens de minha vida, como se abrisse em meu cérebro um baú e as imagens voassem na direção dos meus olhos, como se eu estivesse revivendo cada momento. São projeções de imagens, assim como nos filmes.
Tenho sentido sentimentos desconhecidos, o mesmo me faz querer chorar por não entendê-lo. Quando se menos espera, é quando mais se precisa, contudo não encontrei onde e chorei no meu próprio ombro, não por dor ou tristeza, e sim de um pouco de "medo". Sou dona dos meus pensamentos, vem de mim o poder que me levanta “Sou senhora dos meus ideais”, contudo esse sentimento é estranho a mim, não sei como agir. Vou apenas deixar fluir, sem esperar algo acontecer...

Lembranças dos dias que se foram
Entre os galhos de minhas mãos
Eco do silêncio em minha mente
Paredes lisas, pálidas e frias…
Caminho entre o desejo e o desejado
Encontro o laço, um simples traço
Em palavras que sempre me alimentam…
Por quem eu choro não me conhece
Daqui nada leva, de lá nada trás
Fica o perfume doce no ar
Fica o cantar dos pássaros
Após cada lembrança, seguido de uma angústia
O que sinto não me cabe, o que penso fala…
O que calo escrevo… Nas palavras e nas letras
Um manifesto espontâneo das mais puras incertezas
De razões que nunca tive
Onde passo sem estar e sigo sem levar
Carrego comigo minhas dores
O resto a vida se completa...