18 abril 2026

FICA...


Fica...
Não como quem hesita
Mas como quem sabe
Que certos amores não acontecem duas vezes

Se você partir agora
Não leva só o som da sua voz
Ecoando pelos cantos da casa
leva o silêncio que nunca aprendi a suportar

Há coisas em nós
Que não nasceram para ser passageiras
O jeito que o tempo desacelera
Quando seus olhos encontram os meus
A forma como o mundo parece caber
No espaço entre um abraço e outro

Dizer adeus agora
É como rasgar um livro no meio
Quando a história ainda pulsa
Quando os capítulos mais bonitos
Ainda pedem para existir

E amanhã…
Ah, o amanhã pode ser cruel
Carregado de palavras impensadas
De orgulho que pesa mais do que devia
De saudades que chegam cedo demais

Fica
Não porque é fácil
Mas porque é raro

Porque o que temos
Não é só amor
É daqueles encontros improváveis
Que a vida oferece baixinho, como quem testa
Se a gente é capaz de reconhecer o essencial

Fica…
E deixa o resto do mundo esperar

15 abril 2026

O Meio De Nós

Não foi o começo que me prendeu
Nem o fim que me definiu
Foi o meio esse lugar sem nome
Onde a gente acontece de verdade

Ali morava o teu jeito de ficar
Mesmo quando tudo parecia ir
E o meu jeito de te querer
Mesmo sem saber explicar

O meio de nós era isso...
Um mundo inteiro cabendo em instantes
E o tempo esquecendo-se de correr
Quando a gente se olhava

Se houve fim, eu não sei dizer com certeza
Porque o que foi vivido com verdade
Não sabe obedecer a despedidas

Ficou o meio
Ficou nós
Ficou o que o coração reconhece
Mesmo quando a história muda de rumo

E agora, coração…
Vai devagar
Não apaga o que foi
Mas aprende a respirar de novo

Se for pra amar outra vez
Que seja sem medo de começar

09 abril 2026

Ainda Nós


Entre tropeços e promessas sussurradas
Dois corações insistiram em permanecer
Havia vozes ao redor prevendo quedas
Como ventos contrários tentando apagar o que ardia

E, mesmo assim, seguimos
Passo após passo, sem mapa
Guiados por algo que não se explica
Mas se sente no silêncio entre dois olhares

Hoje, ao contemplar nossa própria história
Vejo marcas de batalhas vencidas lado a lado
Risos que nasceram depois do cansaço
E mãos que nunca se soltaram de verdade

Você é o abrigo onde descanso minhas pressas
O destino onde meus sonhos encontram sentido
A presença que transforma o comum em eterno
Como um suspiro que se recusa a terminar

Se tivéssemos escutado o mundo
Talvez só restasse ausências
Mas escolhemos acreditar
E nisso, reinventamos o impossível

Hoje, ao revisitar o que fomos
Reconheço vestígios de luta partilhada
Inteiros, mais fortes, entrelaçados
E no fim de cada dia
É no seu afeto que encontro paz


07 abril 2026

INTEIRA

Dia 7 de abril sempre chega como um espelho.
Não desses que mostram só o rosto, mas daqueles mais sinceros, que revelam o que mudou por dentro, mesmo quando ninguém mais percebe. E eu olho pra mim assim: uma mistura de tudo e de nada, como se fosse feita de pedaços que nem sempre combinam, mas ainda assim funcionam.
Sou romântica. Do tipo que acredita, mesmo depois de já ter aprendido a duvidar. Porque também sou desconfiada e talvez seja aí que mora o meu equilíbrio estranho, eu sinto muito, mas nem sempre entrego fácil. Meu coração vai à frente, mas minha mente puxa de volta, como quem diz “calma, nem todo mundo merece chegar tão perto”.
Tenho poucos amigos. Mas os que ficam esses ficam de verdade. Não sei ser metade com ninguém. Ou é inteiro, ou não é. Talvez isso explique tanta coisa.
Sou ariana e não nego. Intensa, arretada. Daquelas que se joga que explode que sente tudo de uma vez só. Às vezes brilho e às vezes queimo. Tem dias em que sou coragem pura. Em outros, sou só silêncio tentando se reorganizar.
E no fundo, mas bem no fundo mesmo eu sei, eu sou só coração.
Um coração que já se confundiu que já se protegeu que já quis ser menos pra doer menos, mas nunca conseguiu. Porque ser assim não é escolha, é natureza.
Então esse novo ciclo não chega como uma promessa de mudança. Ele chega como um lembrete, eu continuo sendo isso tudo. Intensa, contraditória, cuidadosa, exagerada, viva.
E talvez crescer seja justamente isso, não deixar de ser, mas aprender a caber melhor dentro de si mesma.
Esse dia não é só sobre mais um ano.
É sobre continuar tendo coragem de sentir.
Porque, no fim das contas, ser eu já é muita coisa.

Todo ano, nessa mesma data
Algo em mim desperta em silêncio
Não é aparência é profundidade
É o que mudou sem que vissem
Sou feita de contrastes
Um sentir que avança
E um cuidado que recua
Ainda acredito, mesmo com receios
E guardo poucos dentro de mim, mas verdadeiros
Sou intensidade pura
Às vezes luz, às vezes incêndio
Às vezes só tentando me entender
No fundo, sou isso
Sentir demais, sempre
E esse novo ciclo não me muda
Me lembra de quem sou
Porque crescer, talvez
Seja só aprender a se acolher
E seguir…
Com coragem de sentir

Meu Presente de Aniversário (Gratidão por Lembrar Cris)

 

04 abril 2026

LUA SILENCIOSA


Há uma distância que não cabe no mapa
Mas insiste em morar dentro de mim
É como se parte do que sou
Tivesse ficado presa em outro lugar
Onde não posso alcançar
Dizem que perdi o juízo
Talvez porque não percebam
Para onde meus pensamentos vão
Quando o silêncio toma conta de tudo
Quando a noite se abre sobre o céu
E uma luz pálida vigia meus segredos
Eu permaneço ali...
Como quem encontra companhia
Onde ninguém mais vê
Falo baixo, quase em segredo
Como se alguém lá no alto
Pudesse me entender
E, por um instante breve
Sinto que não sou a única a chamar
Pode ser imaginação
Ou apenas saudade insistente
Ganhando forma no escuro
Mas há respostas que não chegam em palavras
Chegam em calma, em presença
Em algo que atravessa a distância sem se perder
E se for loucura
Que ela continue me encontrando todas as noites
Quando ergo os olhos
E confio meus silêncios
Àquela velha luz no céu...