07 abril 2026

INTEIRA

Dia 7 de abril sempre chega como um espelho.
Não desses que mostram só o rosto, mas daqueles mais sinceros, que revelam o que mudou por dentro, mesmo quando ninguém mais percebe. E eu olho pra mim assim: uma mistura de tudo e de nada, como se fosse feita de pedaços que nem sempre combinam, mas ainda assim funcionam.
Sou romântica. Do tipo que acredita, mesmo depois de já ter aprendido a duvidar. Porque também sou desconfiada e talvez seja aí que mora o meu equilíbrio estranho, eu sinto muito, mas nem sempre entrego fácil. Meu coração vai à frente, mas minha mente puxa de volta, como quem diz “calma, nem todo mundo merece chegar tão perto”.
Tenho poucos amigos. Mas os que ficam esses ficam de verdade. Não sei ser metade com ninguém. Ou é inteiro, ou não é. Talvez isso explique tanta coisa.
Sou ariana e não nego. Intensa, arretada. Daquelas que se joga que explode que sente tudo de uma vez só. Às vezes brilho e às vezes queimo. Tem dias em que sou coragem pura. Em outros, sou só silêncio tentando se reorganizar.
E no fundo, mas bem no fundo mesmo eu sei, eu sou só coração.
Um coração que já se confundiu que já se protegeu que já quis ser menos pra doer menos, mas nunca conseguiu. Porque ser assim não é escolha, é natureza.
Então esse novo ciclo não chega como uma promessa de mudança. Ele chega como um lembrete, eu continuo sendo isso tudo. Intensa, contraditória, cuidadosa, exagerada, viva.
E talvez crescer seja justamente isso, não deixar de ser, mas aprender a caber melhor dentro de si mesma.
Esse dia não é só sobre mais um ano.
É sobre continuar tendo coragem de sentir.
Porque, no fim das contas, ser eu já é muita coisa.

Todo ano, nessa mesma data
Algo em mim desperta em silêncio
Não é aparência é profundidade
É o que mudou sem que vissem
Sou feita de contrastes
Um sentir que avança
E um cuidado que recua
Ainda acredito, mesmo com receios
E guardo poucos dentro de mim, mas verdadeiros
Sou intensidade pura
Às vezes luz, às vezes incêndio
Às vezes só tentando me entender
No fundo, sou isso
Sentir demais, sempre
E esse novo ciclo não me muda
Me lembra de quem sou
Porque crescer, talvez
Seja só aprender a se acolher
E seguir…
Com coragem de sentir

Meu Presente de Aniversário (Gratidão por Lembrar Cris)

 

04 abril 2026

LUA SILENCIOSA


Há uma distância que não cabe no mapa
Mas insiste em morar dentro de mim
É como se parte do que sou
Tivesse ficado presa em outro lugar
Onde não posso alcançar
Dizem que perdi o juízo
Talvez porque não percebam
Para onde meus pensamentos vão
Quando o silêncio toma conta de tudo
Quando a noite se abre sobre o céu
E uma luz pálida vigia meus segredos
Eu permaneço ali...
Como quem encontra companhia
Onde ninguém mais vê
Falo baixo, quase em segredo
Como se alguém lá no alto
Pudesse me entender
E, por um instante breve
Sinto que não sou a única a chamar
Pode ser imaginação
Ou apenas saudade insistente
Ganhando forma no escuro
Mas há respostas que não chegam em palavras
Chegam em calma, em presença
Em algo que atravessa a distância sem se perder
E se for loucura
Que ela continue me encontrando todas as noites
Quando ergo os olhos
E confio meus silêncios
Àquela velha luz no céu...

22 março 2026

Alguém Para Amar

Eu me perdi de mim por muito tempo
Como quem anda sem saber aonde quer chegar
Tudo em mim era silêncio demais
Um vazio que nem doía mais
Até que você chegou sem pressa
Com um jeito leve de ficar
E, sem tentar mudar tudo
Foi só me olhando e ficando
Tinha tanto em mim quebrado
Tanta coisa sem nome, sem forma
Mas suas mãos nunca tiveram medo
Você cuidou de mim como quem acredita
E foi ali, no simples
Que algo começou a nascer de novo
Não de repente, não como milagre
Mas como flor que aprende o tempo de abrir
Hoje, quando eu respiro, tem você
No meu riso, tem você
No meu jeito de ver o mundo, também
Você não apagou o que eu vivi
Mas fez tudo ganhar outro sentido
E, de alguma forma bonita
Até as minhas marcas ficaram mais leves
Se antes eu só existia, agora eu sinto
E sinto com calma, com verdade, com abrigo
Porque te encontrar
Não foi esquecer a dor
Foi aprender que ainda existe amor
Mesmo depois de tudo

"Someone To Love", de Jon B. (part. Babyface), é uma balada R&B de 1995 que celebra o amor transformador e a gratidão por encontrar alguém especial. A letra expressa a superação de um período difícil, onde o amor da outra pessoa renova as esperanças e dá sentido à vida, destacando a importância de amar e ser amado.

16 março 2026

Horizonte Em Você

Guardei meu mundo em calmaria
Como quem se esconde do mar
Dias passavam em linha vazia
Sem nada novo a despertar

Parecia paz o que eu sentia
Mas era só quietude demais
Faltava o sopro da ousadia
Que faz o peito ir além do cais

Então teu brilho veio leve
Como farol na imensidão
Rompeu a névoa fria e breve
Que eu guardava no coração

Carrego marcas do passado
Um adeus duro de esquecer
Mas mesmo assim sigo inclinada
A outra vez me oferecer

Não tenho muito que mostrar
Apenas verdade na mão
Mas sei que quem decide amar
Colhe coragem no chão

Se o destino pede tentativa
Não vou mais me esconder do mar
Pois tua presença acende a vida
E me ensina de novo a arriscar


13 março 2026

Incompreensão

“Há verdades tão delicadas que preferem o silêncio 
a disputar lugar entre os ruídos do mundo.” ©Lucia

Caminhos me chamam, mas guardam silêncio
Como entradas seladas por mãos invisíveis
Há um anseio quieto em mim
Um passo que sempre hesita diante do mistério

Quando tento tocar o afeto com a voz
Os ouvidos do mundo se fecham cansados
Como se ternura fosse um peso
Que poucos desejam carregar

Talvez eu nunca pertença
Ao ofício dos que tecem versos
Ainda assim, no que digo
Transborda aquilo que sou por inteiro

Dentro de cada sílaba
Escorre um retrato secreto
Um espelho delicado
Onde minha essência respira

Se algum dia apagarem os registros
Do que escrevi ou confessei ao vento
Que também se dissolvam as lembranças
Presas no ar das antigas conversas

Então me soltem, suave e sem ruído
Como quem abre a mão para um pássaro cansado
Partirei leve, quase ausência
Misturando-me ao grande silêncio do universo

E, no repouso sem nome
Talvez eu encontre descanso
Não como perda
Mas como um suspiro que finalmente se aquieta