28 abril 2026

SEM DONO...


 Do outro lado do dia
A porta ficou aberta
E a luz entra devagar
Eu deixo a porta assim
Como se você soubesse voltar
Como se ainda houvesse alguma saída
Como se ainda houvesse você
E não sei mais, não sei mais
Se é você ou só o que ficou
Teu rosto na luz da janela
Ou o que inventei pra não esquecer
Às vezes eu quase falo teu nome
Mesmo sem som...
Teu cansaço misturado ao meu
Como se o tempo não tivesse passado
O relógio continua, mas aqui dentro não
E a casa respira te chama baixinho
Em tudo que fica em tudo vazio
Tem algo aqui que continua
Me chama me puxa me prende
Eu ainda paro no meio do dia
Sem saber por quê...
Mesmo sem nome
Mesmo sem dono
Mesmo sem você

25 abril 2026

Onde A Presença Era Cenário

Quando já não há mais como sustentar o que nunca foi sólido, resta desaparecer.
.
Veio com mãos estendidas
Voz mansa, atenção demais
Teceu laços ligeiros
Com promessas artificiais

Parecia porto seguro
Presença firme a guiar
Mas era tudo ensaiado
Para um enredo enganar

Quando a dúvida soprou leve
Quase nada, quase um véu
Se perdeu nas próprias falas
E o chão lhes faltou no céu

E então veio o silêncio
Não o que guarda ou revela
Mas o que foge apressado
Quando a mentira amarela

Sumiu como quem nunca
Soube sequer permanecer…
Pois quem constrói no vazio
Não sabe o que é sustentar, nem ser

23 abril 2026

VOCÊ É...


Você é
O que não cabe em palavra
Mas ainda assim insiste
Em ser sentido

Você é
Essa presença sem forma
Que me atravessa
Mesmo quando não está

Não é distância
Porque tudo em mim te encontra
De um jeito estranho
Como se sempre soubesse o caminho

Você é
O que arde sem tocar
O que cresce em silêncio
Até virar tudo...

E eu
Sem entender direito
Aprendo a existir assim
Inteiro dentro disso
Que não tem nome
Mas tem você...