20 outubro 2026

A Mão Que Escondia A Lâmina

“Nem toda mão estendida vem acompanhada de um coração leal.”

Nem todo abraço deseja acolher
Nem todo sorriso nos quer ver crescer
Há mãos que se oferecem durante a queda
Enquanto outra lâmina o golpe prepara

Caminhei entre amigos, julgando encontrar
Companheiros dispostos a me acompanhar
Mas alguns conheciam tão bem meus caminhos
Que souberam ferir sem deixar testemunhos

E a estrada alongava seus passos no chão
Enquanto eu recolhia os pedaços da mão
Que um dia estendera sem medo ou reserva
Sem saber que a traição em silêncio se conserva

Chorei não somente por quem me feriu
Mas pelo amigo que pensei que existiu
Pois perder um inimigo não deixa saudade
Mas perder uma amizade destrói uma verdade

Ainda assim, não entrego meu peito ao rancor
Nem faço da mágoa a medida do amor
Quem traz uma lâmina escondida na mão
Não merece levar minhas chaves, meu chão

E se a vida me ensina a escolher companhia
Não quero ser sombra de quem me feria
Prefiro poucos passos, mas passos leais
A mil mãos estendidas com golpes por trás

15 outubro 2026

A Eternidade Mora No Agora

Há constelações que nascem no olhar
Segredos que a pele aprende a traduzir
E um universo inteiro a despertar
Quando duas existências decidem coincidir
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Seu nome repousa na brisa da tarde
Como um verso esquecido que volta a nascer
Meu peito, outrora fechado à saudade
Descobriu novos motivos para florescer
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Se o tempo desenhar seus invernos
Se a estrada esconder sua direção
Encontrará meus gestos sinceros
Acendendo horizontes na escuridão
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Pois há sentimentos que não pedem algemas
Laços tecidos além dos poemas
Raízes profundas que escolhem ficar
E promessas que dispensam jurar
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E quando as palavras perderem o rumo
Quando a distância inventar solidão
Serei o abrigo depois do tumulto
A calma escondida no seu coração
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Não por destino, nem por fantasia
Tampouco por medo de te perder
Mas porque tua presença transforma meus dias
Na rara beleza de simplesmente viver
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E quando a última nota adormecer
E a melodia enfim desaparecer
Restará aquilo que não cabe na canção
Um infinito inteiro pulsando em cada coração

Never Gonna Give You Up - Addal
A versão de Never Gonna Give You Up lançada pelo DJ e produtor italiano Addal é uma releitura eletrônica moderna no estilo deep/tech house do clássico absoluto de Rick Astley.

13 outubro 2026

O Acaso Tem Seu Rosto

Não sei que histórias você carrega
Nem quantos sonhos moram no seu olhar
Só sei que, entre tantas pessoas
Foi em você que parei para reparar
Quero saber o que faz você sorrir
O que ocupa seus pensamentos de madrugada
Quais pequenos detalhes vivem em você
Além do que revela uma conversa apressada
Quero conhecer suas manias, seus silêncios
Os sonhos que ainda deseja realizar
Aquilo que você guarda em segredo
E o que nem sempre consegue explicar
Talvez seja cedo para compreender
O que começa, aos poucos, a acontecer
Mas há encontros que despertam perguntas
Que só o tempo pode responder
Não sei se foi destino ou coincidência
Nem o que a vida pretende nos mostrar
Só sei que existe algo na sua presença
Que me faz querer um pouco mais ficar
Quero conhecer seus tantos mistérios
Descobrir o que existe além do olhar
Talvez o acaso tenha cruzado nossos caminhos
Por razões que ainda não posso decifrar
Mas há algo de bonito nos começos
Que nos faz querer descobrir o que virá

Gary Wright - Really Wanna Know You
A canção Really Wanna Know You de Gary Wright foi lançada em 1981. Explora o desejo profundo de se conectar verdadeiramente com alguém, indo além das aparências ou de encontros superficiais.

11 outubro 2026

Fiquei, Resisti

Não sei exatamente quando passou. Talvez não tenha passado. Talvez eu só tenha aprendido a carregar certas coisas sem apertá-las tanto contra o peito.
Ainda lembro-me de algumas noites em que eu queria desaparecer por algumas horas, só para não precisar pensar. Lembro-me de ter acordado no dia seguinte e feito às coisas de sempre, como se nada tivesse acontecido. É estranho o quanto a gente consegue continuar mesmo quando, por dentro, parece que alguma coisa parou.
Hoje eu olho para mim e reconheço algumas marcas. Não todas. Algumas eu ainda não sei o que significam outras eu prefiro não explicar. Mas já não tenho vontade de esconder cada pedaço difícil da história. Foi tudo parte do caminho, mesmo aquilo que eu gostaria de ter vivido de outro jeito.
E talvez seja isso que mais me surpreendo, eu não me tornei alguém sem medo, nem alguém que tem resposta para tudo. Fiquei apenas. Fiquei quando era mais fácil ir embora de mim. Fiquei quando não havia certeza nenhuma. Fiquei, principalmente, quando ninguém estava vendo.
Hoje existe uma espécie de paz que eu não conhecia antes. Não é felicidade o tempo todo. É mais quieta. É poder olhar para a própria história sem precisar mudar os acontecimentos para conseguir gostar de quem sobreviveu a eles.
Eu sobrevivi. E, de algum modo que ainda estou aprendendo a entender, isso me trouxe até aqui.
Talvez seja por isso que, quando penso em tudo o que vivi, não sinto apenas tristeza. Há também uma ternura. Por mim. Pela mulher que fui. Pela que quase desisti de ser. E por essa que, apesar de tudo, continua aqui.
Não saí de tudo ilesa. Nem precisava.
Fiquei...
Resistir foi o que pude fazer algumas vezes. Outras, foi simplesmente continuar.
E talvez seja suficiente.