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18 julho 2026

Entre Nós


Então você surgiu não como resposta
Mas como aquela rara coincidência
Capaz de reorganizar o destino sem fazer barulho
Há uma serenidade que mora no jeito como você existe
Ela não exige nada do mundo, apenas encosta-se a mim
E, de repente, o peso das horas já não encontra onde repousar
Ao seu lado, descubro que coragem não nasce
Da ausência das quedas
Mas da vontade de continuar caminhando
Porque alguém divide o mesmo horizonte
Seu afeto nunca precisou prometer eternidades
Ele floresce nas pequenas permanências
Na espera sem pressa, na escuta inteira
Na delicadeza de permanecer quando
Tudo seria mais fácil se afastar
Você fez do cotidiano um território improvável
Onde cada gesto simples guarda a grandeza
De um universo recém-criado
Hoje compreendo que existem encontros capazes
De alterar a arquitetura de uma existência
Não porque salvam, mas porque ensinam o coração
A respirar em espaços que antes pareciam inalcançáveis
Se algum mistério sustenta o mundo, talvez seja este
Duas histórias encontrando, uma na outra
O exato lugar onde passam a fazer sentido...
O instante em que sua presença começou a morar nos meus dias
Já não procuro um destino extraordinário...
Basta-me a certeza silenciosa de seguir construindo ao lado
De quem transformou a minha travessia em pertencimento...

Em sua interpretação de A Groovy Kind Of Love, Phil Collins transmite uma visão do amor baseada na simplicidade, na cumplicidade e no conforto emocional. Seu desempenho confere delicadeza à canção, evidenciando que a verdadeira felicidade pode estar presente nos pequenos gestos e na companhia de quem se ama.

27 maio 2026

O Amor Que Partiu

No silêncio dos dias
Onde a luz se recolhe
A ausência pesa, como uma
Sombra que nunca se desfaz
O vazio conversa com o silêncio
Canta notas que só eu escuto
Recordações dançam pelas paredes
Mas não me devolvem
O calor do amor que partiu
A sua falta se espalha
Como uma brisa que não toca
Lembranças passam como fumaça
Cada uma guardando um pedaço do coração
E, ainda assim, a esperança brilha
Como uma luz distante
Sussurrando que, mesmo no vazio
A presença do seu perfume permanece

A Saudade É A Que Fica

13 março 2026

Incompreensão

“Há verdades tão delicadas que preferem o silêncio 
a disputar lugar entre os ruídos do mundo.” ©Lucia

Caminhos me chamam, mas guardam silêncio
Como entradas seladas por mãos invisíveis
Há um anseio quieto em mim
Um passo que sempre hesita diante do mistério

Quando tento tocar o afeto com a voz
Os ouvidos do mundo se fecham cansados
Como se ternura fosse um peso
Que poucos desejam carregar

Talvez eu nunca pertença
Ao ofício dos que tecem versos
Ainda assim, no que digo
Transborda aquilo que sou por inteiro

Dentro de cada sílaba
Escorre um retrato secreto
Um espelho delicado
Onde minha essência respira

Se algum dia apagarem os registros
Do que escrevi ou confessei ao vento
Que também se dissolvam as lembranças
Presas no ar das antigas conversas

Então me soltem, suave e sem ruído
Como quem abre a mão para um pássaro cansado
Partirei leve, quase ausência
Misturando-me ao grande silêncio do universo

E, no repouso sem nome
Talvez eu encontre descanso
Não como perda
Mas como um suspiro que finalmente se aquieta

17 agosto 2025

O Eterno E A Ausência


A brisa, tênue suspiro do mundo
Acaricia a esperança adormecida
Enquanto o horizonte se desdobra
Quadro vago de sonhos não vividos
Assento-me à soleira da existência
Onde a tênue linha entre o eterno e a ausência
Entrelaça-se ao fio dorido da alma
E esta, qual folha rendida ao vento
Busca no vácuo o verbo jamais proferido
Sonho-te em fragmentos dispersos
Vestígios teus que o tempo ocultou
Nos labirintos da lembrança
Nos corredores estreitos do outrora
As palavras que calei hoje vagueiam 
Como aves sem pouso nem céu
Em eterno voo rumo ao nada
Talvez tais palavras cheguem
Até os umbrais de teus sonhos mais profundos
Onde, em silêncio solene
Quem sabe encontrem resposta
À súplica muda de meu coração

14 novembro 2023

Memórias

Pensar sobre a memória

A nostalgia e a relação ambígua

Entre ausência e presença

Muitas vezes, encontro-me profundamente

Imersa nas minhas próprias visões

Interiores de momentos passados

Paisagens que experimentei

Interações que tive com outras pessoas

É esta forma de nostalgia silenciosa

Que me faz criar, ouvir, sonhar.