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“Há verdades tão delicadas que preferem o silêncio
a
disputar lugar entre os ruídos do mundo.” ©Lucia
Caminhos me chamam, mas guardam silêncio
Como entradas seladas por mãos invisíveisHá um anseio quieto em mim
Um passo que sempre hesita diante do mistério
Quando tento tocar o afeto com a voz
Os ouvidos do mundo se fecham cansados
Como se ternura fosse um peso
Que poucos desejam carregar
Talvez eu nunca pertença
Ao ofício dos que tecem versos
Ainda assim, no que digo
Transborda aquilo que sou por inteiro
Dentro de cada sílaba
Escorre um retrato secreto
Um espelho delicado
Onde minha essência respira
Se algum dia apagarem os registros
Do que escrevi ou confessei ao vento
Que também se dissolvam as lembranças
Presas no ar das antigas conversas
Então me soltem, suave e sem ruído
Como quem abre a mão para um pássaro cansado
Partirei leve, quase ausência
Misturando-me ao grande silêncio do universo
E, no repouso sem nome
Talvez eu encontre descanso
Não como perda
Mas como um suspiro que finalmente se aquieta

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Palavras são agradáveis à minha alma. Escritas lindamente, tocarão meu coração