08 agosto 2026

O Que Não Foi Visto

“Você foi o amor da minha vida, pena que você nunca acreditou em mim. Eu nunca te esqueci, você ainda mora aqui no cantinho do meu coração, e ele está arrumadinho pra você”. (Celso Adolfo)

Não culpo os seus olhos
Por não terem encontrado
Aquilo que eu guardava
Nem tudo que é precioso
Se oferece ao primeiro olhar
Há coisas que a gente cuida
Com tanta delicadeza
Que até as mãos que recebem
Desconhecem o valor que carregam
Talvez essa seja a parte mais difícil
Ter dividido pensamentos
Entregue pequenos silêncios
Construído tantos futuros possíveis
Ao lado de alguém que nunca soube
Que já morava em mim...
Se um dia lembrar-se de nós
Não procure pelo que faltou
Nem todo encontro
É feito para permanecer
Alguns chegam apenas
Para revelar uma parte da gente
Que talvez nunca existisse
Sem aquela passagem...
E quem sabe
Em algum instante perdido do mundo
Duas vidas estiveram tão próximas
Que quase aprenderam a mesma direção

2 comentários:

  1. Boa noite, Lucinha...

    Eu considero essa canção de Celso Adolfo uma das mais lindas da MPB raiz, aquela que nos remete à fase de ouro dos grandes compositores, intérpretes e das letras profundas com forte foco poético.
    A singeleza com que ele demonstra sua frustração e seu sentimento... a simplicidade com que ele trata sua própria dor ao expor seu amor não correspondido...a inocência com que ele se entrega à verdade da sua paixão unilateral, em que apenas uma das partes está envolvida... a emoção que povoa apenas um único lado e a angústia que afeta apenas uma única direção – são, pra mim, os fatores determinantes desse meu gostar sem limites.
    Eu imaginei, conhecendo você e sua poética, o quanto seria criativo e emocionante um poema seu... que detalhasse em palavras e imagens sua impressão e seu sentimento sobre essa joia musical de Celso Adolfo.

    “Não culpo os seus olhos
    Por não terem encontrado
    Aquilo que eu guardava”

    Que imagens lindas você criou, ao longo dos seus versos, para revelar um amor explícito que não foi correspondido e, talvez, sequer conhecido;

    “Há coisas que a gente cuida
    Com tanta delicadeza
    Que até as mãos que recebem
    Desconhecem o valor que carregam”

    Que forma honesta e delicada de proteger a omissão e a falta de reconhecimento de um grande amor sem reciprocidade e sem cumplicidade;

    “Ao lado de alguém que nunca soube
    Que já morava em mim...”

    Que imagem forte e doída, que retrata um ressentimento contido e um desejo irreprimível de mostrar ao outro o quanto aguardou seu amor.

    Não me enganei...
    Você me comoveu tanto quanto Celso Adolfo, quando escreveu essa letra.
    Obrigada por esta emoção, minha amiga!
    Beijo da Cris 😘🌹

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  2. Olá Cris, minha querida, que carinho receber suas palavras!
    Fiquei muito emocionada ao ler seu comentário e ver você voltar aos meus versos com um olhar tão sensível. Esse poema nasceu da emoção que a canção do Celso Adolfo me despertou, mas também da curiosidade de conhecer a história por trás dela, de saber como aquela letra nasceu. E tudo isso acabou me atravessando de um jeito muito especial.
    Você enxergou e sentiu cada verso com muita delicadeza. Saber que minhas palavras conseguiram te emocionar dessa forma é, para mim, um presente.
    Gratidão, Cris, por esse olhar tão generoso e por esse carinho. Seu comentário também virou um pedacinho bonito da história desse poema.
    Um beijo grande, minha amiga!

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