28 abril 2026
SEM DONO...
Do outro lado do dia
A porta ficou aberta
E a luz entra devagar
Eu deixo a porta assim
Como se você soubesse voltar
Como se ainda houvesse alguma saída
Como se ainda houvesse você
E não sei mais, não sei mais
Se é você ou só o que ficou
Teu rosto na luz da janela
Ou o que inventei pra não esquecer
Às vezes eu quase falo teu nome
Mesmo sem som...
Teu cansaço misturado ao meu
Como se o tempo não tivesse passado
O relógio continua, mas aqui dentro não
E a casa respira te chama baixinho
Em tudo que fica em tudo vazio
Tem algo aqui que continua
Me chama me puxa me prende
Eu ainda paro no meio do dia
Sem saber por quê...
Mesmo sem nome
Mesmo sem dono
Mesmo sem você
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Para mim, é sempre difícil comentar sentimentos e emoções...de alguém.
ResponderExcluirNo entanto, este teu texto, está "mesmo" muito bem escrito e passa muito, para este lado.
( já agora, se achares por bem, visita-me em : https://fox-time.blogspot.com/ )
Olá Fox.
ExcluirGratidão pelas palavras e visita.
Às vezes os sentimentos pode servir para nós.
Amigo não sou muito a favor de entrar em blogs privados, espero que entenda, se abrir seu blog vou visitar.
Tenha um bom resto da semana.
Olá Lucia.
ExcluirO meu blog não é privado. ( tanto qunto eu saiba...)
Por acaso, só o abri há pouco tempo.
Boa semana!
Entendo!
ExcluirOlá Lucinha...
ResponderExcluirEssa sensação de impotência diante de uma perda... de um abandono... de uma desistência... de uma renúncia é sempre muito dolorosa e marcante.
E esse sentimento de espera... de confiança... de crença no improvável é sempre
sofrida, penosa e angustiante.
Me faz lembrar do saudoso Tom Jobim, na sua obra-prima “Por Causa De Você” que, nos primeiros versos, diz assim...
“Ah, você está vendo só do jeito que eu fiquei e que tudo ficou.
Uma tristeza tão grande nas coisas mais simples que você tocou!”
Muito lindos e sentidos os seus versos, Lucinha!
Acho que a poesia... quanto mais exercitada, mais pungente se apresenta.
Você evolui poeticamente a cada nova criação... parabéns!
Beijo da Cris.
É uma poesia que eu escrevo sobre mim, sobre esses vazios e ausências que a gente nem sempre sabe explicar. A espera, mesmo dolorosa, ainda carrega esperança, eu me perdi de mim.
ExcluirNão escrevo poesias, escrevo sentimentos, tudo que vem de dentro, de mim, dos outros e até de amores.
" "Decifra-me, mas não me conclua, eu posso te surpreender"" (Clarice Linspector)
Fico muito tocada com a lembrança da canção, ela traduz bem esse sentir. Obrigada pelo carinho, sigo escrevendo para me entender e transformar um pouco disso em algo que também alcance o outro.
Beijo e bom final de semana.