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13 junho 2026

O REI DA PRÓPRIA RAZÃO

Que cada leitor decida sozinho se está diante do espelho ou
apenas olhando para ele. (Lucia)
Carrega um rei na barriga, uma coroa de ilusão
Faz da própria voz abrigo e da arrogância, profissão
Sua verdade é conveniente, muda conforme a ocasião
Sempre posa de inocente, mas tropeça na contradição
Fala muito, escuta pouco, julga tudo sem pudor
Confunde certezas de louco com a razão de um pensador
Coleciona fofocas e versões, máscaras de ocasião
Enquanto esconde as próprias falhas atrás da falsa perfeição
Mas a vida é paciente, não precisa se apressar
Pois toda mentira elegante um dia aprende a tombar
E quando cair do trono que inventou para si mesmo
Vai descobrir, sem retorno, que foi refém do próprio enredo
A maior mentira, afinal, não foi a que contou ao redor
Foi acreditar, no final, que era melhor do que os outros ao redor

05 julho 2025

O Jogo Da Ironia

Ironia dourada, máscara brilha, mas esconde o vazio dentro.

Com palavras afiadas, como lâminas cortantes
Ele veste sua ironia como um manto dourado
Sabe tudo, e o mundo parece ser
Só um palco onde ele é o ator aplaudido e adorado.

Mas quem são os outros, se não sombras?
Figuras que dançam ao seu redor
Só para confirmar suas ideias vagas
Sendo o espelho de um ego maior.

Os olhos brilham, o sorriso é ácido
Cada frase, um veneno disfarçado
O seu saber parece infalível
Mas por trás do riso, há o vazio, escondido.

A ironia é sua armadura, sua defesa
Um escudo contra a fragilidade que ele teme
Mas em cada piada, ele se perde e se enclausura
Não percebe que na falta de conexão, ele se dissolve, ele se queima.

E no fim, quem é o irônico?
Aquele que “entende tudo”
Ou o que não consegue ver que a vida
Não é uma piada pronta, mas um caminho profundo?