Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.
Pende em meu seio a haste branda e fina
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim! ...
Milagre ... fantasia ... ou, talvez, sina ...
Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?! ...
Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minha’alma
E nunca, nunca mais eu me entendi ...
Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

Lucia!
ResponderExcluirMaravilhoso soneto de Florbela.
Florbela continua entre nós, através das tuas palavras,
que nos tocam a alma e a pele...
Feliz noite.
Beijos!
Olá A.S.
ExcluirGosto dos escritos da Florbela. Me identifico com eles e automaticamente com ela.
Foi-se embora, mas deixou sua vida por escrito para ser lembrada.
Minha gratidão pelas palavras e presença.
Beijos e ótima noite.