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27 setembro 2021

Missa da Meia-Noite

 

Assisti a série Missa da Meia-noite exibida pela Netflix, de começo pensei ser algo entre o bem e o mal, mas não é. A série fala sobre fé x fanatismo. Apesar do seu desfecho, e creio que teria de ser assim, é boa.

Passa-se em uma ilha isolada que é vítima de males tanto humanos quanto profanos. O drama de terror é dividido em sete episódios e começa com Riley Flynn (Zach Gilford) retornando para sua casa na ilha de Crockett depois de um tempo na prisão devido a um acidente fatal que causou. Paralelamente, a comunidade recebe Padre Paul (Hamish Linklater), que chegou para substituir o pastor da região, que está doente. Quando milagres e presságios começam a ocorrer, os habitantes da ilha voltam a frequentar a igreja, enquanto Riley, sua amiga de infância Erin (Kate Siegel) e um xerife condenado (Rahul Kohli) suspeitam que possam testemunhar o inimaginável e o sobrenatural.

Dos setes episódios que assisti atentamente, o final, algumas palavras foram narradas e me chamou a atenção, então minha filha transcreveu elas, espero que gostem e reflitam sobre elas.

O que acontece quando a gente morre?
Falando só de mim? Falando por você.
De mim… Só de mim. Esse é o problema. Esse é o grande problema da questão.
Esse conceito, “eu”. Isso não existe. Não tá certo, não é não existe.
Como eu esqueci isso? Quando eu esqueci isso?
O corpo para, uma célula de cada vez, mas o cérebro continua disparando os neurônios, como mini raios, como fogos ali dentro. Eu pensei que fosse me desesperar, o sentimento, mas eu não senti nada disso. Nada... Porque eu estou ocupada demais, ocupada demais no momento, lembrando. Claro…
Eu lembro que cada átomo do meu corpo foi forjado numa estrela, essa matéria, esse corpo, é praticamente só espaço vazio no fim das contas e, matéria sólida?
É só energia vibrando lentamente. Não existe “eu”. Nunca existiu.
Os elétrons do meu corpo interagem e dançam com os elétrons do chão embaixo de mim, e do ar que eu não respiro mais... E eu lembro, não existe sentido onde tudo aquilo acaba e eu começo.
Eu lembro que eu sou energia, não memória, não “eu”. O meu nome, a minha personalidade, as minhas escolhas, tudo veio depois de mim. E eu era antes deles, e eu vou ser depois, e todo o resto são imagens que eu juntei no caminho. Breve sonhos passageiros impressos no tecido do meu cérebro morrendo. E eu, sou o raio saltando ali, eu sou a energia disparando os neurônios e, eu to voltando. Só de lembrar, eu estou voltando pra casa.
É como uma gota d’água caindo de volta no oceano, de onde ela sempre fez parte. Todas as coisas fazem parte, todos nós somos parte, você, eu, a minha filhinha, a minha mãe, o meu pai, todos que já existiram, toda planta, todo animal, todo o átomo, toda a estrela, toda a galáxia, tudo. Tem mais galáxias no universo do que grãos de areia na praia, e é disso que nós estamos falando quando falamos Deus... O Deus, o cosmos, e seus infinitos sonhos.
Nós somos os cosmos sonhando consigo mesmo, é só um sonho que eu penso que é a minha vida, toda vez...Mas eu vou esquecer isso, eu sempre esqueço, eu sempre esqueço os meus sonhos.
Mas agora, nesse milésimo de segundo, no momento que eu lembro, no instante que eu lembro, eu compreendo tudo de uma vez. Não existe tempo, não existe morte, a vida é um sonho. É um desejo, que fazemos de novo, e de novo, e de novo, e de novo e assim por toda a eternidade.
Eu sou tudo isso, eu sou tudo, eu sou todos, eu sou o que sou.