Entre tropeços e promessas sussurradas Dois corações insistiram em permanecer Havia vozes ao redor prevendo quedas Como ventos contrários tentando apagar o que ardia
E, mesmo assim, seguimos Passo após passo, sem mapa Guiados por algo que não se explica Mas se sente no silêncio entre dois olhares
Hoje, ao contemplar nossa própria história Vejo marcas de batalhas vencidas lado a lado Risos que nasceram depois do cansaço E mãos que nunca se soltaram de verdade
Você é o abrigo onde descanso minhas pressas O destino onde meus sonhos encontram sentido A presença que transforma o comum em eterno Como um suspiro que se recusa a terminar
Se tivéssemos escutado o mundo Talvez só restasse ausências Mas escolhemos acreditar E nisso, reinventamos o impossível
Hoje, ao revisitar o que fomos Reconheço vestígios de luta partilhada Inteiros, mais fortes, entrelaçados E no fim de cada dia É no seu afeto que encontro paz
Não desses que mostram só o rosto, mas daqueles mais sinceros, que revelam o que mudou por dentro, mesmo quando ninguém mais percebe. E eu olho pra mim assim: uma mistura de tudo e de nada, como se fosse feita de pedaços que nem sempre combinam, mas ainda assim funcionam.
Sou romântica. Do tipo que acredita, mesmo depois de já ter aprendido a duvidar. Porque também sou desconfiada e talvez seja aí que mora o meu equilíbrio estranho, eu sinto muito, mas nem sempre entrego fácil. Meu coração vai à frente, mas minha mente puxa de volta, como quem diz “calma, nem todo mundo merece chegar tão perto”.
Tenho poucos amigos. Mas os que ficam esses ficam de verdade. Não sei ser metade com ninguém. Ou é inteiro, ou não é. Talvez isso explique tanta coisa.
Sou ariana e não nego. Intensa, arretada. Daquelas que se joga que explode que sente tudo de uma vez só. Às vezes brilho e às vezes queimo. Tem dias em que sou coragem pura. Em outros, sou só silêncio tentando se reorganizar.
E no fundo, mas bem no fundo mesmo eu sei, eu sou só coração.
Um coração que já se confundiu que já se protegeu que já quis ser menos pra doer menos, mas nunca conseguiu. Porque ser assim não é escolha, é natureza.
Então esse novo ciclo não chega como uma promessa de mudança. Ele chega como um lembrete, eu continuo sendo isso tudo. Intensa, contraditória, cuidadosa, exagerada, viva.
E talvez crescer seja justamente isso, não deixar de ser, mas aprender a caber melhor dentro de si mesma.
Esse dia não é só sobre mais um ano.
É sobre continuar tendo coragem de sentir.
Porque, no fim das contas, ser eu já é muita coisa.
Todo ano, nessa mesma data
Algo em mim desperta em silêncio
Não é aparência é profundidade
É o que mudou sem que vissem
Sou feita de contrastes
Um sentir que avança
E um cuidado que recua
Ainda acredito, mesmo com receios
E guardo poucos dentro de mim, mas verdadeiros
Sou intensidade pura
Às vezes luz, às vezes incêndio
Às vezes só tentando me entender
No fundo, sou isso
Sentir demais, sempre
E esse novo ciclo não me muda
Me lembra de quem sou
Porque crescer, talvez
Seja só aprender a se acolher
E seguir…
Com coragem de sentir
Meu Presente de Aniversário (Gratidão por Lembrar Cris)
(I Wanna Take) Forever Tonight Peter Cetera & Crystal Bernard
Há uma distância que não cabe no mapa Mas insiste em morar dentro de mim É como se parte do que sou Tivesse ficado presa em outro lugar Onde não posso alcançar Dizem que perdi o juízo Talvez porque não percebam Para onde meus pensamentos vão Quando o silêncio toma conta de tudo Quando a noite se abre sobre o céu E uma luz pálida vigia meus segredos Eu permaneço ali... Como quem encontra companhia Onde ninguém mais vê Falo baixo, quase em segredo Como se alguém lá no alto Pudesse me entender E, por um instante breve Sinto que não sou a única a chamar Pode ser imaginação Ou apenas saudade insistente Ganhando forma no escuro Mas há respostas que não chegam em palavras Chegam em calma, em presença Em algo que atravessa a distância sem se perder E se for loucura Que ela continue me encontrando todas as noites Quando ergo os olhos E confio meus silêncios Àquela velha luz no céu...